Criadora do Vinho na Vila abre marketplace e wine bar com planos de expandir por franquias

Textos e imagens originais publicados na reportagem de 09 de outubro de 2020 da revista PEGN Globo https://revistapegn.globo.com/Banco-de-ideias/Alimentacao/noticia/2020/10/

Sem eventos, Larissa Fin conseguiu surfar na onda do aumento de vendas de vinhos na quarentena com marketplace e clube de assinaturas. Agora, anuncia abertura do Terroir Wine Bar & Market em São Paulo

Depois de bater a marca de R$ 1 milhão em vendas no projeto itinerante Vinho na Vila, em 2018, a empreendedora Larissa Fin, 34, registrou um crescimento de 20% em 2019 e se preparava para chegar a onze cidades em 2020 – três a mais do que no ano passado. Com isso, projetava um avanço de até 30% no faturamento. A pandemia adiou os planos.

O objetivo do Vinho na Vila é promover vinícolas brasileiras, que também viam nos eventos uma forma de comercializar e divulgar os rótulos que, até então, eram pouco difundidos entre os consumidores brasileiros. Durante toda a história do projeto, mais de 300 empresas já participaram.

Para ajudar os produtores a manter as vendas, e também para manter o faturamento, Larissa colocou no ar, em abril, o marketplace Casa Vitis, que conta atualmente com 33 vinícolas. Além disso, em junho, ela criou um clube de assinaturas ligado à plataforma, para que amantes da bebida possam receber rótulos surpresa todos os meses.

A plataforma vem crescendo mês a mês. De acordo com a empreededora, todos os dias há vendas. “Colocamos no ar também um evento online mensal, para conversas, degustação e harmonização. A cada edição escolhemos três vinícolas para participar”, explica.

Larissa comenta que a medida ajudou a levar os vinhos para cidades que ainda não estavam na rota do Vinho na Vila. “Muita gente que nos seguia nas redes sociais começou a participar desses eventos e a comprar no marketplace. Tivemos vendas para Rondônia, por exemplo, que ainda não estava no nosso radar.”

 
Edição presencial do Vinho na Vila, em 2019 (Foto: Selmy Yassuda)

                                         Edição presencial do Vinho na Vila, em 2019 (Foto: Selmy Yassuda)

Agora, o próximo passo será a abertura da loja física: um wine and cheese bar, em São Paulo, apenas com vinhos e queijos de produção nacional. “Vamos trabalhar, a princípio, com 200 rótulos brasileiros e 30 tipos de queijos e embutidos. Cada cliente vai poder montar a sua própria tábua.”

Batizado de Terroir Wine Bar & Market, Larissa brinca que o novo negócio é “o menor wine bar do mundo”, com apenas 30 metros quadrados na área de atendimento e um deck com mesas. Ela investiu cerca de R$ 60 mil no projeto e a inauguração em soft open está prevista para o início de novembro.

A ideia é que o wine bar e o marketplace funcionem de forma integrada. Um cliente pode comprar o vinho pela internet e degustar no espaço, por exemplo. Também é possível adquirir uma garrafa na loja e receber em casa.

Projeto do Terroir Wine Bar & Market (Foto: Divulgação)

                             Projeto do Terroir Wine Bar & Market (Foto: Divulgação)

“Vamos ficar dois anos como loja própria, para verificar como vai funcionar, e a ideia é lançar para franquias. O objetivo é que o investimento seja baixo, justamente para chegar a mais cidades”, explica.

A empreendedora se animou com os resultados das vendas de vinho durante a quarentena, e acredita que a explicação seja justamente o isolamento social. “Cerveja não é uma bebida para tomar sozinho, o vinho acabou sendo um companheiro para as pessoas na quarentena.”

O momento também é propício para o nicho escolhido por Larissa: vinhos nacionais. Com o dólar acima de R$ 5, os rótulos produzidos no Brasil tiveram destaque durante a pandemia. Em julho, a venda de vinhos produzidos no país teve um crescimento de 15%, enquanto os importados registraram 5% de expansão. Os dados são da Ideal Consulting, que acompanha o setor.

Entre janeiro e julho, foram comercializados 263,4 milhões de litros de vinho no Brasil, entre brasileiros e importados, um crescimento de 37% em relação ao mesmo período no ano passado. O mês que registrou a maior participação de rótulos nacionais foi junho, com 82%.

Em agosto, a consultoria já percebeu uma queda de 21% no mercado em relação ao mês anterior. Larissa acredita que esse é o momento ideal para que o consumidor brasileiro passe a olhar com mais carinho para as vinícolas nacionais. “Precisamos conquistar o publico local, as pessoas se permitiram conhecer. Antes não tínhamos essa abertura.”

O dólar alto atraiu outro público para o marketplace de Larissa durante a pandemia: os lojistas. Segundo a empreendedora, cerca de 20% dos clientes da plataforma são pessoas jurídicas. “Não atendemos mais porque não temos como. Há pouco tempo, fechamos uma parceria com uma rede de minimercados autônomos que atende a 18 condomínios em São Paulo. É uma demanda grande e que gera uma visibilidade muito significativa.”

A empreendedora adianta que uma segunda unidade do Terroir Wine Bar & Market também já está em negociação e deve ser inaugurada em fevereiro, dentro de um centro cultural paulistano. 

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